O Que Atravessa Não se Perde
Há palavras que não pertencem ao papel.
Elas pertencem ao movimento.
Escrevo porque o mundo não cabe inteiro dentro
de mim — e, ainda assim, transborda.
Em cada travessia, algo se desfaz.
Em cada travessia, algo se refaz.
O ser humano é feito dessas margens instáveis:
entre o que foi, o que é e o que ainda tenta nascer.
Este espaço não é apenas sobre literatura.
É sobre permanências e ausências.
Sobre aquilo que nos escapa, mas ainda assim nos constitui.
Entre marés da alma e caminhos de existência,
sigo escrevendo não respostas — mas perguntas que respiram.
Porque existir, talvez, seja isso:
permanecer em travessia.
— Silvana Souza
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