Coleção Travessias do Ser (texto de abertura - 1)
Confissões de Travessia
Hoje quero dividir com vocês que estou me sentindo uma árvore, feliz por transmitir, por meio das palavras escritas, sons cujas notas são quimeras em realização. Hoje celebro a concretização de mais uma obra, mais um retrato do meu interior expandindo-se no mundo digital, uma extensão da minha história, dos meus sentimentos e pensamentos, que armazenaram sensações, vontades, ideais e projetos. Tudo isso inclui pessoas conhecidas e desconhecidas. E por qual razão?
Porque acredito na força do autoconhecimento, no poder transformador que ele possui para contribuir com o crescimento do indivíduo. Confio nisso porque reuni, ao longo da minha vida, os conhecimentos daqueles que me antecederam e deixaram seu legado nas instituições acadêmicas e nas escolas da vida, nos espaços em que o sofrimento e a alegria edificaram seus pilares, proporcionando-me aprendizados que se tornaram energias motoras e mentais para que eu continue vivendo, sendo, fazendo e, algumas vezes, até parando, transitando entre a dúvida e o desejo de realizar, mesmo quando, por vezes, me perco.
Sou humana, com potencialidades e fraquezas, oscilando nas dimensões físicas, emocionais e psíquicas. Contudo, aprendi que essas oscilações são reflexos naturais do meu processo de evolução. Então, acolho meus monstros e minhas belezas. Tenho consciência da impermanência da vida e de seus acontecimentos. Percebo, atualmente, que certezas e incertezas caminham lado a lado para nos encorajar a seguir e compreender: eu posso, eu quero, eu sou, traçando minhas próprias direções, sem que a voz do outro fale mais alto. E não no sentido da intolerância, mas da certeza de que a melhor pessoa para definir o que sinto sou eu mesma, a única que sente por mim.
Escrevo um pouco sobre mim porque, sendo protagonista da minha própria história, desejo contribuir com quem também deseja assumir esse lugar. É por isso que escrevo, levando minhas experiências pessoais, o conhecimento científico, os reflexos do humano e a escuta que transformo em palavras, inspirada por tudo o que ouvi e continuo ouvindo ao longo da vida.
Hoje é o meu tempo. Ontem corresponde ao meu acervo de experiências existenciais. Talvez por isso eu me identifique tanto com uma árvore, que não perde sua beleza por envelhecer. Ao contrário, renova-se a cada dia, amadurece, oferece novos frutos, novas folhagens e amplia suas raízes com vigor.
Sim, estou exatamente em um atravessamento existencial, uma nova etapa do desenvolvimento humano, classificada em uma fase que ainda chamamos de velhice. No entanto, sinto-me cada vez mais forte para criar, ofertar, acolher e, principalmente, me abrigar. Apenas a maturidade trouxe-me isso, encerrando um ciclo de insatisfações e incertezas que alimentavam o medo e o transformavam em trava para seguir.
Entretanto, você pode, desde cedo, acolher seu paraíso interior, que vai muito além da aparência, e simplesmente viver sem permanecer prisioneiro do sofrimento, do que não foi possível, do que se perdeu e de tantos outros pesos que insistimos em carregar.
Somos paredes em permanente construção. Somos nossos próprios alicerces e possuímos materiais suficientes para realizar as reformas necessárias, permitindo-nos olhar para o espelho sem medo de ser feliz, sem medo de aceitar quem realmente somos, mesmo diante de pensamentos inadequados ou das opiniões invasoras do que dizem sobre nós.
Além disso, é preciso sair das falsas vitrines expostas incessantemente nos corredores virtuais, estimulando-nos a ser aquilo que não somos, explorando nossas vulnerabilidades para dizer quem devemos ser, como se soubessem o que é melhor para cada um de nós. E, muitas vezes, acreditamos nisso simplesmente porque desacreditamos na árvore magistral que existe dentro de nós.
Eu não apenas me sinto uma árvore; carrego uma árvore na alma, que ramifica diariamente, substitui as folhas secas, nutre as que permanecem, floresce diante de cada situação e cria possibilidades físicas e mentais para sentir e viver melhor.
Quero também dividir uma alegria: está chegando uma nova obra. Trata-se da coleção Travessias do Ser. Hoje apresento seu primeiro volume: Cartografias do Eu – Entre Aparências e Essências. Na próxima semana estará disponível nas plataformas digitais, que divulgarei oportunamente.
Em breve, lançarei também No Vai e Vem dos Litorais: Histórias Existenciais.
E, apenas para despertar novas expectativas, segue em construção Impactos do Eu: Logoterapia em Forma de Poesia, além de outras coisinhas mais.
Nada disso aconteceria se minha vida não tivesse encontrado sentido, e se o sofrimento também não carregasse um sentido, como tão bem nos ensinou Viktor Frankl. E, como defendia o psicanalista Contardo Calligaris, para ser um bom psicoterapeuta é preciso carregar consigo uma boa dose de sofrimento psíquico. Então, penso que estou no caminho certo... (risos).
É sério! Nem faço esta colocação como psicóloga, mas como ser humano que vivenciou, ultrapassou, acolheu, seguiu e continua seguindo, independentemente das barreiras existenciais. Elas são experiências intensas e transformadoras, capazes de nos ensinar a ser feitos de travessias e histórias.
Comentários
Postar um comentário
Olá! Se minha escrita fez sentido para você, deixe seu comentário! Vou gostar muito de te ler!